Índice de mortalidade por suicídio em MS é maior que média nacional

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O setembro amarelo, mês que simboliza a prevenção ao suicídio, nunca foi tão necessário. Isso porque dados inéditos sobre o tema, divulgados nesta quinta-feira (21) pelo Ministério da Saúde, mostram um país onde tirar a própria vida está longe de ser uma exceção, e indicam um sinal de diversos tipos de sofrimentos, psíquicos e sociais. O suicídio, no país, já é a quarta maior causa de morte entre homens jovens. Em Mato Grosso do Sul os números são ainda piores. A taxa de mortalidade entre os homens é maior do que a média nacional. No país essa taxa é de 8,7 a cada 100 mil habitantes, e no Estado, é de 13,3.

O boletim mostra um panorama até então pouco conhecido. A questão já é hoje uma das maiores preocupações da OMS (Organização Mundial da Saúde), que alerta para o avanço não só do suicídio, mas das doenças como depressão e ansiedade. Em todo o planeta, 800 mil pessoas tiram a própria vida todo ano.

No Brasil, a violência tem alcançado desde crianças até idosos. São 11 mil pessoas, a cada ano, que cometem suicídio. A taxa de mortalidade a cada 100 mil habitantes subiu em 2015, alcançando 5,7. Em 2014, após registrar queda, a taxa em todo o país foi de 5,5. Também assusta a incidência do suicídio entre indígenas: 15,2 é a taxa entre as etnias.

Homens tiram mais a própria vida do que as mulheres

A taxa de mortalidade em tentativas de suicídio entre os homens é 3,6 maior do que entre as mulheres, cuja taxa é de 2,4. Mato Grosso do Sul, novamente, atinge patamar acima da média nacional. Entre as mulheres do Estado, essa taxa é de 3,7.

Em Campo Grande, segundo dados da Sesau (Secretaria municipal de saúde), uma pessoa tentou tirar a própria vida a cada 10h em 2016. A saúde municipal registrou 891 casos. A cidade ilustra um mapa, divulgado no boletim nacional, junto a outros municípios que mais concentram índices. Nesta quinta-feira, por exemplo, um dos boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil da Capital foi sobre essa forma de violência.

Um homem de 46 anos, conta a polícia, foi encontrado enforcado. “Na residência foi contatado o genro da vítima, o qual relatou que a vítima fazia tratamento no CAPS, haja vista, sofrer de esquizofrenia e diabetes. Que a vítima sofria de depressão e tomava alguns remédios regularmente, tais como: Carbamazepina, Risperidona, Amplictil, Cloridrato de Fluoxetina, entre outros”, afirma o registro policial.

A meta do Ministério da Saúde é reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020, já que o Brasil é signatário do Plano de Ação em Saúde Mental, lançado em 2013 pela OMS. A redução faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.

Lesões auto provocadas de forma voluntária, um dos indícios de comportamento suicida, segundo especialistas, são a 3ª maior causa das taxas de mortalidade entre homens no Brasil. Já entre as mulheres é 8ª. Entre 2011 e 2016 foram notificadas 176.226 lesões auto provocadas em todo o Brasil.

Mulheres tentam mais que homens

A taxa de mortalidade entre as mulheres é menor, mas não as tentativas de suicídio. Segundo o boletim, 69% das tentativas ocorreu entre as mulheres. Foram 48.204 tentativas entre 2011 e 2016, 58% por envenenamento ou intoxicação. As mulheres, aponta o Ministério da Saúde, também voltam a tentar suicídio mais do que homens. A taxa de reincidência entre elas é de 31,3, e entre os homens é de 26,4.

Idosos – A letalidade do suicídio, revela o boletim, é maior entre os idosos. A faixa etária de 70 anos e mais apresentou taxa de mortalidade de 8,9, superando a de jovens entre 20 e 29 anos, cuja taxa é de 6,8.

Entre os povos indígenas cuja taxa de mortalidade é muito maior do que entre pessoas brancas, negras e amarelas – crianças e jovens representam 44,8% dessas mortes. Trata-se de uma faixa etária que contempla desde crianças de 10 anos até jovens de 19. Mato Grosso do Sul tem grande representação nesses índices. O relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2015, publicado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) em 2016, mostrou que metade dos suicídios entre indígenas ocorridos em 2015 no Brasil aconteceram no Estado.

Setembro amarelo – Este é o mês que simboliza o combate e prevenção ao suicídio, iniciativa do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina)e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). As primeiras atividades começaram em 2014, concentradas em Brasília. Mato Grosso do Sul passou a aderir apenas no ano passado, apesar de ser o segundo Estado na lista do Ministério da Saúde com maior índice de casos em relação ao número de habitantes.

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